14/09/2026 16:55:34
Atualizado em 14/09/2026 17:29:41
Há cirurgias em que cada movimento precisa ser preciso. Em procedimentos colorretais, especialmente aqueles realizados em regiões de difícil acesso, a qualidade da visualização e a capacidade de manipular estruturas delicadas são fundamentais. É nesse cenário que a chegada do Da Vinci Xi ao Hospital das Clínicas de Teresópolis Costantino Ottaviano (HCTCO) ganha especial relevância para a Coloproctologia.
Inédito na Região Serrana, o equipamento faz parte do investimento do HCTCO em tecnologia e na expansão da alta complexidade. Para o Dr. Pedro Henrique Ferreira Baddini, coordenador da Coloproctologia do hospital, os recursos da cirurgia robótica podem representar ganhos importantes em procedimentos que exigem precisão, sobretudo nas cirurgias do reto. "As possibilidades são inúmeras. A gente tem a dissecção em espaços confinados, por exemplo, em cirurgias pélvicas, onde as pinças robóticas simulam os movimentos da mão do cirurgião", explica.
A tecnologia oferece ainda imagem em 3D, maior detalhamento das estruturas e filtro de tremor, mantendo a imagem estável durante o procedimento. Recursos que, segundo o especialista, podem contribuir para uma dissecção mais precisa de nervos, vasos e linfonodos. Essa possibilidade ganha importância especialmente na cirurgia colorretal oncológica. "Quanto melhor a visualização e a dissecção, melhor a peça cirúrgica. A peça que nós retiramos do paciente pode ter mais segurança oncológica", afirma Baddini.
Precisão onde cada milímetro importa
Entre os procedimentos que podem se beneficiar da tecnologia estão as cirurgias colorretais, principalmente as realizadas no reto, justamente por envolverem um espaço confinado na região pélvica.
Com a imagem tridimensional ampliada, o cirurgião consegue identificar melhor as estruturas e, por exemplo, trabalhar na preservação dos nervos: "Eles são muito importantes para manter as funções dos órgãos sexual e urinário, sendo estes mais um dos benefícios dessa técnica", destaca.
A tecnologia também muda a relação do próprio cirurgião com o procedimento. Sentado diante do console, ele trabalha com menor desgaste físico, o que ganha importância em cirurgias mais longas. "A ergonomia do cirurgião é muito importante porque, para cirurgias extensas, ele está mais disposto, ele fica melhor para utilizar tudo aquilo que ele pode oferecer para o paciente", explica.
Um investimento que aproxima tecnologia e assistência
A chegada do Da Vinci Xi está prevista para o início de outubro. Além da plataforma robótica, o HCTCO adquiriu um simulador cirúrgico de última geração, que permitirá a implantação de um centro de treinamento voltado à cirurgia robótica.
A preparação para essa nova etapa já começou. Enquanto o equipamento não chega a Teresópolis, Dr. Pedro Baddini vem realizando cirurgias robóticas no Rio de Janeiro. No último sábado, segundo ele, foram realizados dois procedimentos no mesmo paciente: uma retossigmoidectomia e uma colectomia direita. A experiência também aumenta a expectativa pela chegada da tecnologia ao HCTCO, onde o acompanhamento dos pacientes poderá ser feito mais de perto pela equipe. "No Rio a gente opera, passa a visita um dia e a equipe que nós trabalhamos lá passa a visita nos demais dias. Aqui, a gente está todos os dias vendo o paciente ao nosso lado, acompanhando dentro do hospital", conta.
Para o especialista, a chegada do Da Vinci Xi representa uma nova etapa para a região. "O HCTCO se coloca num patamar de referência estadual, regional. Era uma tecnologia do futuro, e hoje é uma tecnologia do presente na Região Serrana, em Teresópolis", conclui Baddini.
Por Giovana Campos