28/08/2026 10:26:12
Atualizado em 28/08/2026 10:27:13
O Centro Universitário Serra dos Órgãos (Unifeso) iniciou, na última semana, o curso de extensão Cirurgia Ginecológica Minimamente Invasiva e Endometriose, voltado para médicos que desejam aprofundar seus conhecimentos em técnicas laparoscópicas, cirurgia ginecológica de alta complexidade e tratamento da endometriose. A formação é coordenada pelos professores Dr. Carlos Romualdo Gama e Dr. Marco Antonio Banal.
Após as atividades teóricas, realizadas no início da semana, os participantes avançaram para a etapa prática. Na sexta-feira, 21 de agosto, foi realizado treinamento em Animal Lab, no centro cirúrgico do Campus Quinta do Paraíso do Unifeso, espaço utilizado para aulas práticas, projetos de extensão e treinamentos especializados.
A proposta é permitir que os médicos desenvolvam habilidades cirúrgicas em ambiente controlado antes de aplicá-las em procedimentos com pacientes. "A gente está treinando no porquinho para que o aluno já chegue treinado, com a habilidade desenvolvida. Então ele não vai treinar a habilidade na cirurgia no humano", explica o coordenador Dr. Carlos Romualdo Gama.
Durante a primeira etapa do curso, também foram realizados quatro procedimentos cirúrgicos, incluindo cirurgias de maior complexidade e casos de endometriose. Para Romualdo, a iniciativa aproxima formação médica e assistência à saúde. "A cidade ganha, a instituição ganha, todo mundo se beneficia", destaca.
Formação prática e qualificação médica
Segundo o também coordenador Dr. Marco Antonio Banal, o curso surgiu a partir da percepção de uma lacuna na formação médica em relação à videolaparoscopia e às novas tecnologias aplicadas à cirurgia ginecológica. "Há um déficit na formação do médico na questão da videolaparoscopia. A gente já trabalha com isso há muitos anos e decidiu focar justamente nessa necessidade", afirma.
A formação reúne médicos de diferentes localidades, inclusive de outros estados. Um dos participantes veio do Tocantins para realizar o curso em Teresópolis, demonstrando o alcance da iniciativa e o potencial da Região Serrana como polo de formação especializada.
Para o professor Diller Pereira da Silva, de Petrópolis, que integra o corpo docente e possui cerca de dez anos de experiência na formação de cirurgiões, o treinamento é fundamental para garantir mais segurança aos procedimentos. "Cada vez mais a tecnologia vem trazendo novidades para a gente poder oferecer isso aos pacientes, e tem que ter treinamento. Não adianta ter um carro perfeito se você não sabe dirigir o carro", compara.
O professor destaca ainda a importância de oferecer esse tipo de capacitação fora dos grandes centros. "Trazer isso para o interior do estado é um ganho enorme para a região toda", afirma.
Turmas reduzidas e acompanhamento próximo
Outro diferencial do curso é a proposta de trabalhar com turmas de no máximo 15 alunos, permitindo um acompanhamento mais individualizado pelos professores.
A metodologia inclui treinamento em Animal Lab, Dry Lab com simuladores, mesa de anatomia virtual, transmissão de cirurgias ao vivo e mentoria contínua. Também estão previstos módulos com professores convidados e a possibilidade de fellowship para participantes interessados em ampliar a experiência prática.
A programação aborda ainda temas como cirurgia robótica, inteligência artificial, direito médico, sustentabilidade e gestão de carreira, acompanhando as transformações da especialidade.
Por Giovana Campos