22/05/2026 14:06:38
Atualizado em 22/05/2026 14:33:23
O conhecimento científico ganhou espaço fora da sala de aula e chegou ao ambiente descontraído do Boteco do Alto durante a terceira edição do Pint of Science Teresópolis, promovido pelo Centro Universitário Serra dos Órgãos (Unifeso). Realizado nos dias 18, 19 e 20 de maio, o festival reuniu professores, estudantes, embaixadores da instituição e convidados em uma programação que aproximou ciência e sociedade de forma leve e acessível.
Criado em 2012, em Londres, o Pint of Science acontece simultaneamente em diversos países e propõe debates científicos em bares e espaços de convivência. Em Teresópolis, a programação foi dividida em três noites temáticas, abordando ciências da saúde, ciências humanas e tecnologia.
A coordenadora local do evento no Unifeso, professora Renata Lia, destacou a proposta democrática do festival e a importância da divulgação científica em espaços acessíveis ao público. "A ideia é justamente democratizar o acesso à ciência e trazê-la para fora dos muros da universidade", afirmou a organizadora durante a abertura do evento.
Renata também agradeceu ao Boteco do Alto pela recepção e ao Unifeso pelo apoio à realização do festival, além de reconhecer o trabalho de estudantes, embaixadores, equipe de marketing e demais colaboradores envolvidos na organização. Segundo ela, o evento busca unir ciência, interação e entretenimento em um ambiente acolhedor e participativo.
O assessor científico do projeto, professor Carlos Alfredo Franco Cardoso, em sua fala na abertura do evento, relembrou a trajetória internacional do Pint of Science, que atualmente acontece em 27 países e está presente em 213 cidades brasileiras.
A primeira palestra, realizada no dia 18, teve como tema "Saúde Planetária: Administrar o caos no antropoceno ou liderar a saúde do futuro", ministrada pela professora Heloísa Badagnan. A docente promoveu uma reflexão sobre os impactos das mudanças climáticas na saúde humana e mental, além da relação entre meio ambiente, território e qualidade de vida. Ao longo da apresentação, Heloísa explicou o conceito de Antropoceno - período marcado pela intensa interferência humana no planeta - e destacou como eventos extremos, como enchentes e desastres ambientais, impactam diretamente populações inteiras. "A gente tem refugiados climáticos, são pessoas que foram obrigadas a sair ou foram retiradas por interferências do clima de suas regiões e hoje moram em outras regiões. Foram obrigadas a se ambientar em outros lugares que não eram os lugares onde cresceram. E isso impacta diretamente a saúde mental dessas populações", destacou a palestrante.
A docente também incentivou os estudantes a refletirem sobre o papel das universidades na construção de soluções sustentáveis e na formação de profissionais atentos às relações entre clima, saúde pública e questões sociais.
Além das palestras, o evento também foi marcado pela interação entre os participantes. Estudante do oitavo período de Biomedicina, Ariene Kelley participou, pela primeira vez, do festival e ressaltou a experiência de aprendizado em um ambiente mais descontraído. "Eu estou gostando. Já gosto de palestras, mas quando acontece em um lugar onde a gente pode conviver e socializar com os colegas, a dinâmica fica ainda melhor. A gente consegue conversar, interagir e aprender também", comentou.
Quem também acompanhou a programação foi a estudante Ashley França, participante de todas as edições do Pint of Science em Teresópolis. Para ela, o evento contribui para tornar o ambiente acadêmico mais leve e acessível. "Torna bastante o ambiente mais leve e traz a ciência não só para quem é da área da saúde, mas também para estudantes de outros cursos e instituições. É uma experiência muito interessante", afirmou.
A programação seguiu nos dias 19 e 20 com debates sobre desigualdade alimentar, conduzido pela professora Carla Goulart, e inteligência artificial, com a professora Andressa Alves, encerrando mais uma edição do festival que transformou ciência em diálogo, troca de experiências e aproximação com a comunidade.
Por Giovana Campos